Tudo começou com uma ideia e várias influências. A ideia era escrever um blog sobre as coisas que a ciência descobria a respeito do universo, sobre pseudociências e tudo o mais...As influências vieram de blogs que comecei a ler por volta de 2008, como o "Brontossauros no meu Jardim", "Rainha Vermelha", "N-dimensional", alguns blogs que descobria no portal lusitano "Blogs de Ciência", e alguns norte americanos como o do Carl Zimmer (The Loom), do Ed Young (Not Exactly rocket science) e do biólogo evolucionista Jerry Coine (Why evolution is true?). Então as coisas começaram sem um pingo de pretensão, e com o tempo mais pessoas começaram a visitar este espaço "O amigo de Wigner" e retornavam a cada postagem nova, o que me fazia cada vez tentar atingir uma qualidade maior...

Um urso-da-água vive num grão de areia e se auto-denomina o rei do universo
Bom, tudo acaba e se ainda não acabou um dia irá, mas enquanto uma "coisa" pode se extinguir, deixando somente as lembranças, outras coisas podem mudar (ou se você preferir) evoluir! e é isto que vai acontecer com este espaço. O blog foi selecionado para fazer parte da maior rede de blogs de ciência do mundo, o Scienceblogs.com, mais precisamente o braço brasileiro da rede, o scienceblogs.com.br ao lado de, veja só, os mesmos blogs que me influenciaram para começar a escrever, mas não somente estes, outros excelentes blogs de ciência, alguns tão novos quanto este aqui, e tão excelentes quanto! o que me deixa muito feliz e ansioso para ver como vai ser daqui em diante. Então a despedida é dolorida, no sentido que este espaço aqui do blogspot vai ser desativado com o tempo, juntamente com o nome o "amigo de Wigner".

Isso requer algumas explicações, veja bem, eu tirei esse nome de um experimento mental da mecânica quântica, que tem relação com outro famoso experimento o "Gato de Schrödinger", e como sempre foi um tanto complicado explicar de forma simples, sempre pensei em mudar o nome, para não complicar tanto, e também por que ao longo do tempo os temas que mais apareciam aqui foram os ligado as ciências da vida, mais precisamente sobre evolução, enfim, como eu já utilizava um nome antigo que significa bastante para mim, por diversos motivos, em outros projetos, e como foi o primeiro nome de um blog sobre poesia da ciência (que não deu muito certo) penso que seria legal utilizá-lo novamente nesse novo caminho. Então gostaria que as mesmas pessoas que acompanharam esta saga do Amigo de Wigner, acompanhem o "novo" blog, "O jarro de moscas" que logo estará num novo endereço... Obrigado a todos... Juntem-se a mim e iremos governar a galáxia... Até o próximo post.
*Título da postagem retirado da série "Guia do mochileiro das galáxias"
Marcadores:
até logo,
blogosfera,
evolução,
jarro de moscas,
o amigo de wigner,
scienceblogsbrasil
|
Simbiose. Um espectro de relações na qual organismos interagem e vivem juntos de forma mais íntima possível, e onde ambos podem se beneficiar ou se destruir lentamente. Em vertebrados tetrápodes um tipo de simbiose insólita já é conhecida por uma centena de anos, e é decorrente do mutualismo nada usual entre salamandras e algas microscópicas.

Aqui os embriões de salamandras convivem intimamente com algas como Oophila amblystomatis e Chlamydomonas sp. se banhando neste suco verde e fotossintetizante enquanto vão se desenvolvendo. A equipe da Universidade de Indiana em Bloomington demonstrou que a floração das algas e posterior contato com as células de embriões de salamandra se dá logo ao inicio da formação do embrião.

No detalhe em vermelho, as algas marcadas na região da cabeça do embrião. Detalhes dos ovos.
Os embriões produzem dejetos ricos em nitrogênio como a amônia e dióxido de carbono que a alga utiliza em seu metabolismo cedendo oxigênio dissolvido em troca, para os embriões. Aparentemente as algas são passadas de mãe para os filhotes, já que as algas acompanham as salamandras em toda sua vida, desde o desenvolvimento embrionário até o nascimento de novos filhotes nas fêmeas. Resta saber quais outras espécies de salamandras e outros anfíbios atingiram tal grau de simbionticidade, e se ocorreu algum troca gênica dentro deste complexo como a transferência horizontal, o que não iria me surpreender nem um pouco...

Adulto de Ambystoma maculatus
Referências:
Kerney. ryan. "Symbioses between salamander embryos and green algae" in Symbiosis. October 2011. DOI 10.1007/s13199-011-0134-2
Marcadores:
algas,
fotossíntese,
mutualismo,
simbiose,
transferência horizontal,
vida
|
Quando um Biólogo (ainda não me graduei, mas enfim...) diz que você é bonita, não pense que é somente um elogio, daqueles que já ouviu de todos os outros e em todas as sextas (ou sábados, ou nos outros dias da semana) pois claro, nossa mente funciona através da comparação, e neste caso a comparação não se dá com as outras mulheres, de outras sextas,

sábados e outros dias da semana, mas sim com todos os outros organismos deste firmamento... E isso, tipo, é bastante coisa sabe... Eu comparo com todas as estruturas do Universo, de bactérias púrpuras do fundo do oceano a galáxias em espiral. De pandas e pessoas. De pulsares a foraminíferos... Então, leve a sério...
Marcadores:
amor,
ciência,
poesia
|

"E, no esforço de ser homem, o verme
Escala todas as espirais da forma"
(Jun Takami)
Marcadores:
amor,
arte,
microscopia,
poesia,
vermes
|
Quando estudamos a história evolutiva das espécies, suas interações ecológicas com outros indivíduos e com o meio, sua dinâmica de populações e das comunidades, podemos chegar a conclusão que uma eterna luta é travada na natureza, seja numa floresta úmida, num deserto solitário e escaldante, nas termas submarinas e ácidas ou até mesmo dentro dos nossos do corpos. Um guerra entre presa, predador, e entre indivíduos da mesma espécie, onde somente um sai vencedor...
"Não desista. Lute até o fim!"Mas nem sempre a história é escrita dessa forma, as vezes uma trégua, é necessária para continuar a sobreviver.
O termo Simbiose, foi utilizado pelo primeira vez em 1879 pelo Micologista alemão
Heinrich Anton de Bary e foi definido como "organismos diferentes vivendo juntos". Desde então o estudo dessa área veio crescendo e demonstrando que a simbiose deu origem a grandes saltos evolutivos, como o surgimento das células eucarióticas e das organelas mitocôndria e dos cloroplastos nas plantas. O ditado popular "uma mão lava a outra" vem a calhar nesse conto, mas venho aqui para falar de seres que não possuem mãos para serem "lavadas"...
Homalodisca vitripennisO drama da vida neste teatro evolutivo que vos apresento é encenado pela cigarra
Homalodisca vitripennis, e as bactérias hospedadas em seu corpo, a
Baumannia cicadellinicola e
Sulcia muelleri, numa espécie de
"Threesome" estes organismos convivem intimamente, e quando falo de intimidade, viver dentro do corpo de outro talvez seja o máximo de intimidade que se pode alcançar. A cigarra
H. vitripennis, como diversos artrópodes que convive com endosimbiontes, possui uma estrutura corporal especializada para isso, o bacterioma, onde residem os bacteriócitos, as células que protegem as bactérias, provem nutrientes, aminoácidos necessários para sua manutenção e são transmitidas maternalmente para a prole.
A dupla de endossimbiontes: Baummania (verde) e Sulcia (vermelho)Claro que viver junto tem suas consequências, como a redução do genoma do endossimbionte, e a inabilidade de viverem separados tanto o hospedeiro quanto o hospedado, tática utilizada para exterminar insetos que muitas vezes se tornam pragas de lavouras, ou vetores de doenças, mas os benefícios desse estilo de vida, neste caso podem ser resumidos em:
A espécie Baummania sintetiza vitaminas e cofatores, enquanto a Sulcia produz aminoácidos, complementando a síntese da Baummania e provendo fonte energética para a cigarra Homalodisca, que se alimenta no xilema de algumas plantas cujo não possuem tais "mantimentos" para a sobrevivência da cigarra.
Neste regra á três, diferente da música do Vinícius de Moraes "regra três", o menos não vale mais...
Referências:
http://www.pnas.org/content/104/49/19392.full
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/16729848
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC368156/
Letra da música Regra TrêsImagens: Aqui e daqui.Este texto já foi publicado no blog
Biologia em Ciência e
Evolucionismo.ning
|
Sobre o artigo da equipe de Jonathan Eisen da UC Davis sobre evidências de um quarto Domínio da Vida. (aqui uma nota explicativa bem detalhada no
blog do Biólogo Evolutivo Jonathan Einsen, autor do artigo.) As evidências vieram das amostras do
projeto de Craig Venter que procura coletar água do mar, em seu iate, para posteriormente realizar análises
metagenômicas com os organismos encontrados, utilizando marcadores moleculares como as subunidades de ARN.
(Bacon, Lettuce, and Tomato, a convergência "maneira" ou algo do tipo)
O que foi encontrado, ao construir árvores filogenéticas destes organismos, foi um padrão de ramificação "novo" que dá a idéia de que alguns vírus gigantes, como o Mimivirus e outros, possam representar este 4° Domínio da vida. Traz a tona a velha questão, que pensei estar encerrada, de estas entidades genéticas serem "vivas" ou não...
Carl Zimmer no blog "The Loom" discute a respeito deste artigo também.
Referências:
Wu D, Wu M, Halpern A, Rusch DB, Yooseph S, et al. 2011 Stalking the Fourth Domain in Metagenomic Data: Searching for, Discovering, and Interpreting Novel, Deep Branches in Marker Gene Phylogenetic Trees. PLoS ONE 6(3): e18011. doi:10.1371/journal.pone.0018011
Imagem: Abstruse goose
Marcadores:
bacteria,
ciência,
Craig Venter,
evolução,
humor,
metagenômica,
vida,
vírus
|

No momento que escrevo este texto, chove na noite de Porto Alegre... Lá em Titã, a segunda maior exolua do nosso sistema solar, um dos satélites naturais do deslumbrante planeta Saturno, aquele exibido com seus anéis, também está chovendo. Uma chuva alienígena, escura e densa, mas que a boniteza deste fenômeno, antes único no nosso sistema solar, o ciclo de chuvas, algo tão vulgar e comum em muitas regiões aqui na Terra, não passe despercebido por nós...
Nuvens equatoriais em Titã.O clima em Titã é similar ao da Terra, há ventos intensos que ajudam a moldar a sua superfície, formando dunas, lagos, rios, e talvez até oceanos de metano ou etano. Aparentemente há estações definidas em Titã, cada uma durando em torno de 7 anos terrestres.
Comparação de tamanho entre a Terra, Titã e a nossa Lua.Em artigo publicado ontem na revista Science, E.P Turtle et al. reportam a ocorrência do início de temporada das chuvas e teorizam a respeito do sistema atmosférico de precipitação comparado com o da Terra.
"Padrão simplificado de circulação da atmosfera e os padrões de precipitação em Titã e da Terra. A maior parte da precipitação ocorre na ZCIT (Zona de convergência intertropical), onde o ar sobe como resultado da convergência dos ventos de superfície das direções norte e sul. A ZCIT Titã era anteriormente perto do pólo sul (A), mas está atualmente em seu caminho para o pólo norte (B). A migração sazonal da ZCIT na Terra é muito menor (C e D)."

No dia 8 de Julho de 2009, a sonda Cassini
observou a reflexão especular do Sol, no espectro do infravermelho de um dos lagos desta Lua, o
Jingpo Lacus, que existe na região polar de Titã, logo após esta área emergir de 15 anos da escuridão invernal...
Penso num futuro distante, onde os alienígenas na praia seremos nós, debaixo de nuvens chuvosas, a lembrar de forma saudosa da chuva de início de outono de Porto Alegre (ou qualquer outra cidade) na Terra, e quem sabe navegar em tais lagos e oceanos...
"...all I ask is a tall ship and a star to steer her by". John Masefield (1878-1967).
Referências:
LUNINE, J., STEVENSON, D., & YUNG, Y. (1983). Ethane Ocean on Titan Science, 222 (4629), 1229-1230 DOI: 10.1126/science.222.4629.1229
E. P. Turtle et Al. (2011). Rapid and Extensive Surface Changes Near Titan’s Equator: Evidence of April Showers. Science. 18 March 2011: 331 (6023), 1414-1417. [DOI:10.1126/science.1201063]
Sciencenow
Página da Wikipédia sobre Titã
Poema "Sea fever" de John MasefieldÀ respeito da ultima postagem sobre as supostas bactérias extraterrestres, uma pequena matéria e entrevista sobre o fechamento do laboratório de Astrobiologia da Universidade de Cardiff na Inglaterra, onde o diretor era o físico Chandra Wickramasinghe, um dos resenhistas do polêmico artigo e editor da revista onde ele foi publicado, mais infos. em breve...
Marcadores:
alienígena,
astrobiologia,
chuvas,
ciência,
poesia,
titã
|
Tomei conhecimento através do
"Gene Repórter" do Roberto Takata sobre o artigo do pesquisador da NASA/Marshall Space Flight Center, Richard B. Hoover publicado on-line e de acesso livre no
"Journal of Cosmology", sobre a descoberta de estruturas nos meteoritos Alais, Ivuna e Orgueil CI1 , que possuem semelhança com uma uma bactéria gigante, a
Titanospirillum velox e diversos outros microorganismos "espiralados".
Comparação entre os supostos microfósseis de Hoover e a bactéria Titanospirillum velox.
Se a descoberta fosse da área da palentologia, seria algo usual, mas a conclusão de Hoover vai muito além, pois ele alega que os microfósseis sao indígenos do meteorito, e não representam uma contaminação de organismos terráqueos atuais ou extintos... Encurtando a história, a conclusão do artigo é que estas estruturas representam entidades biológicas extraterrestres que pegaram carona no meteorito, possivelmente de uma exolua, ou de outros planetas!, Baseado em fotografias por métodos avançados e sensíveis (microscopia eletrônica) e por comparação com organismos como a já citada bacteria sulfurosa, das estruturas para reprodução, fixação de nitrogênio e outras atividades metabólicas de microorganismos conhecidos.
Ilustração belíssima da Titanospirillum velox.
Realmente, nao tenho "expertise" suficiente para julgar, mas a máxima de Carl Sagan, talvez seja a forma mais simples de expressar em poucas palavras como funciona o método científico: "Alegações extraordinárias requerem evidências extraórdinárias", frase que já virou um "meme" ou um mantra de como os cientistas testam, validam ou refutam suas hipóteses.
Alem das estruturas alienígenas, (e de fato são) varios compostos orgânicos como hidrocarbonetos e aminoácidos foram detectados nos meteoritos, todos apontando uma origem extraterrena (e mais uma vez, penso que ainda é cedo para concluir a respeito dos microfósseis)... Entre os dias 7 e 10 de março comentários a respeito do artigo irão ser postados no site da revista.

Uma das metas da NASA e da ESA (agência espacial européia) é futuramente aterrissar em Europa, uma das luas de Júpiter e coletar amostrar do suposto oceano líquido ou congelado, e averiguar se existem assinaturas biológicas nestes lugares alienígenas. Só assim para confirmar a hipótese de vida fora da Terra, se realmente tivermos acesso a tais organismos hipotéticos...Uma idéia interessante sugerida no artigo é a respeito das colorações na superfície da lua Europa, que poderiam ser em decorrência da atividade biológica alienígena, como alguns microorganismos fazem aqui na Terra, o exemplo da "neve de melancia" causada pelo Protista
Chlamydomonas nivalis.
"Neve de melancia". Referências:
Gene Reportér
Journal of Cosmology
"Titanospirillum velox: A huge, speedy, sulfur-storing spirillum from Ebro Delta microbial mats."PNAS.Imagens: Journal of Cosmology
Eco-time
Palomar
Nasa.gov
Marcadores:
alienígena,
evolução,
exobiologia,
meteorito,
Nasa,
Tiospirillum velox,
vida
|

Solidão. Ou é momentânea, ou ilusória. Nunca estamos sozinhos. Dentro de nós existem mais bactérias que gotas da água num dia chuvoso de verão. Algumas nos acompanham do nascimento até o funeral, outras vamos adquirindo através da comida, da respiração e do toque de outra pele... Para o bem e para o mal, convivemos com elas. Algumas são organismos caroneiros, no melhor estilo "On the Road" do escritor Beat, Jack Kerouac. E talvez, a mochileira oficial na estrada da história da vida na Terra é a espécie Wolbachia pipientis, uma Rickettsiacea.
Uma célula de inseto hospedando algumas Wolbachias (os círculos). A dominatrix da BiosferaUma bactéria endossimbionte obrigatória, ou seja que não é possível cultivá-la ou a remover de seu hospedeiro sem causar alguma alteração fisiológica no mesmo. Extremamente sexista (se as feministas fossem escolher algum mascote seria esta a ideal) onde na sua presença a proporção de machos e fêmeas é alterada (normalmente fica em torno de 50%) e ainda são mestras na manipulação sexual do hospedeiro. Elas pegam carona nos óvulos das fêmeas, assim sendo transmitidas a sua prole.
Wolbachia está em seus óvulos, matando os seus machos!Os principais efeitos no hospedeiro são: morte dos machos na prole, partenogênese (quando não há necessidade de fusão de gametas do sexo oposto), ou seja o animal teria somente uma mãe e nenhum pai, transformação de machos em fêmeas e incompatibilidade citoplasmática (quando uma estirpe, um tipo de bactéria da fêmea não é compatível com a estirpe do macho) o que leva a morte de praticamente toda a prole do acasalamento.
É o parasita mais bem sucedido de toda a biosfera, praticamente 70% dos invertebrados possuem
Wolbachias em seus corpos, de moscas da fruta, aranhas, escorpiões, crustáceos, borboletas e alguns vermes nematóides, o que nos traz um paradoxo, pois se ela altera tanto a "sexualidade" dos seus hospedeiros, causando um genocídio de machos, por que esta relação simbiótica é tão persistente?
Algumas das manipulações na fecundação entre seus hospedeiros.Bom, foi descoberto que em algumas espécies de
Drosophilas (as moscas da frutas) que estas estão protegidas contra alguns vírus de RNA, na presença destes endossimbiontes, o que torna "incerto" o conceito de parasitismo e mutualismo, não sendo algo eternamente estático, mas sim um conceito que possui uma certa plasticidade.
Não bastasse elas pegarem carona nos ovos e filhotes de outros organismos, existe a evidência dramática, onde em pelo menos uma espécie da mosca hawaiana
Drosophila ananassae, possui o genoma inteiro da Wolbachia, praticamente 1 milhão de pares de bases, incrustado em seu cromossomo 2, além de pedaços de outros genes da bactéria nos genomas de vespas, besouros e nematóides através da transferência horizontal gênica. Melhor carona que esta é impossível!
Alguns teóricos especulam que a
Wolbachia poderia dar origem a uma nova organela, da mesma forma que a mitocôndria e o cloroplasto surgiram na teia da vida, mas num futuro distante...
A flecha indica o genoma da wolbachia em verde, no cromossomo politênico de Drosophila.Agora imagine se existisse algum organismo que assume o controle da vida sexual dos seres humanos, e manipulasse a razão macho/fêmea dando ênfase ao nascimento somente de mulheres! Um tema abordado na HQ
"Y o último homem", isso se sobrassem homens para deslumbrar tal mundo... Mas deixaremos estas últimas palavras para os escritores de ficção científica...
Referências:Zimmer, C. (2001). Wolbachia: A Tale of Sex and Survival Science, 292 (5519), 1093-1095 DOI: 10.1126/science.292.5519.1093
Teixeira, L., Ferreira, �., & Ashburner, M. (2008). The Bacterial Symbiont Wolbachia Induces Resistance to RNA Viral Infections in Drosophila melanogaster PLoS Biology, 6 (12) DOI: 10.1371/journal.pbio.1000002
Hotopp, J., Clark, M., Oliveira, D., Foster, J., Fischer, P., Torres, M., Giebel, J., Kumar, N., Ishmael, N., Wang, S., Ingram, J., Nene, R., Shepard, J., Tomkins, J., Richards, S., Spiro, D., Ghedin, E., Slatko, B., Tettelin, H., & Werren, J. (2007). Widespread Lateral Gene Transfer from Intracellular Bacteria to Multicellular Eukaryotes Science, 317 (5845), 1753-1756 DOI: 10.1126/science.1142490
Imagens: infelizmente perdi as referências de algumas...
Marcadores:
bacteria,
evolução,
sexo,
simbiose,
transferência horizontal,
wolbachia pipientis
|
"O homem é uma corda estendida entre o animal e o super-homem- uma corda sobre um abismo" (Nietzsche, FW., 1995 [1885]: 31).

Não há uma linha bem definida separando os outros animais de nós. E se é existe é tênue o suficiente para nos confundir o que é do "animal" ou o que faz parte da humanidade. Formigas constroem túneis complexos debaixo dos nossos pés, e nós construímos edifícios... Qual é a diferença?
O abismo seria o tempo, e a corda seria os outros animais... Somente.
A pausa para o Café foi demorada, mas estamos de volta...
Marcadores:
antropomorfismo,
ciência,
comportamento,
filosofia
|
É incrível até onde podemos ir com o pensamento. A lógica (que é pensamento, por fim matéria) pode te levar de "A" a "B", mas a imaginação te leva a qualquer lugar do universo, como dizia o velho Einstein... Precisamos manter a mente aberta, mas a tal ponto de não deixar transbordar o cerébro para fora (Dawkins). Para podermos hipotetizar novas formas de vida, precisamos entender e estabelecer de comum acordo o que é isso, a vida. E já possuímos uma definição, talvez nao satisfatória para alguns, de que a vida como a conhecemos, a única, a nossa e dos outros organismos terrestres, se baseia nos átomos da tabela periódica.

Não em todos é claro, pois eles precisam possuir algumas propriedades "especiais", como formar longas cadeias estáveis (carbono), doar ou receber energia na forma de eletricidade (comunicação e interatividade que faz o hidrogênio e oxigênio ), formação em conjunto de maior complexidade como o nitrogênio, que é a base dos ácidos nucleicos e aminoácidos, acelerar, dar estrutura e energizar as reações quimícas, um dos papéis do fósforo e o enxofre que faz ligação com algumas proteínas (note que cada vez mais a complexidade e o nível hierárquico aumenta). Aqui temos o acrônimo mnemônico "CHONPS", os elementos básicos para a vida na Terra.

A alguns dias atrás, descobrimos que ao menos um desses átomos, o fósforo (P) talvez possa ser substituído por arsênico (As) e desempenhar funções semelhantes num organismo vivo, a agora famosa bactéria Halomonadaceae, estirpe "GFAJ-1", descrita no trabalho da Dra. Felisa Wolve-Simon da Astrobiologia da NASA. Bom, ainda não chegamos lá na nossa definição de vida (imagine uma lista de compras de supermercado). Os átomos detalhados acima não são suficientes, para manter um ser vivo, outros, como o Ferro (Fe) que forma a molécula da hemoglobina, tem papel fundamental no transporte de oxigênio em alguns animais, já outros possuem uma molécula semelhante, como os fotossintetizadores que possuem a clorofila mas outro átomo que faz esse papel, o magnésio (Mg), já alguns cefalópodes como os polvos e as lulas, possuem o Cobre (Cu) em molécula e papel semelhante.

Não é um trabalho fácil não é mesmo? por que ainda não paramos por aí, pois um organismo vivo troca, rouba e devolve energia para o meio ambiente, e também precisa nao somente se replicar (forma uma cópia de si) mas se reproduzir (formar uma cópia de si de forma "autônoma"), um dos motivos dos vírus não entrarem no escopo de seres vivos (pois eles utilizam o maquinário da célula invadida para tal). Esse sistema vivo ainda precisa mudar, sofrer mutações, ou adições e deleções e por fim evoluir.
Aqui estamos, talvez tenha conseguido descrever a forma de vida mais simples de todas, uma bactéria.

Mas e outras "vidas"? outros seres? Nós estamos aqui, mas onde estão todos os outros? isso se eles existem... No próximo post, vamos continuar em cima dessa questão. Então ainda dá tempo de preparar o café, limpar os óculos (se você os usar) por que é cedo para ir dormir, ainda mais que o próximo texto irei discorrer a respeito de vida feita de nuvens... Até lá.
Imagens: aqui, aqui e aqui
Marcadores:
átomos,
bacteria,
bactéria GFAJ-1,
evolução,
filogenia,
filosofia,
vida,
vida sintética
|
Ah... Bactérias. Organismos primordiais do nosso planeta. Ocupam praticamente todos os nichos da Biosfera, até mesmo vivemos em paz com elas (em nosso estômago) ou as vezes elas podem nos matar. Entidades simples, mas que "inventaram" as mais diversificadas e estranhas maneiras de sobreviver. Manipuladoras sexuais, sobreviventes a radiação alta, fazem nuvens, constroem colônias petrificadas em praias antigas, comem enxofre, e agora, em artigo publicado na revista
Science, e divulgado em
coletiva de imprensa as 17 hs (horário de Brasília) e 2 hs de Washington D.C, Estados Unidos pelo centro de Astrobiologia da NASA, podem utilizar o elemento Arsênico (As) em sua bioquímica, substituindo o Fósforo (P) como estrutura essencial na molécula de DNA, e possívelmente em outras biomoléculas.

O que pensávamos sobre a vida, ou sobre os elementos essenciais da "vida como ela é" era baseado nos "
big six", ou seja, todas as formas de vida, de um grão de bactéria, de um cavalo marinho, uma bromélia solitária, e até a ruiva apetitosa
Christina Hendricks, todos são formados de básicamente Carbono (C), Hidrogênio (H), Oxigênio (O), Nitrogênio (N), Fósforo (P) e enxofre (S). A arquitetura molecular desses organismos é estruturada por estes átomos em forma de biomoléculas, nas estruturas celulares, no ATP (trifosfato de adenosina) a "energia que dá força", e na molécula da vida, o DNA. Para o nosso interesse o fósforo desempenha a função de formar o "esqueleto" do DNA, na forma de fosfato (PO
43-) ligando-se ao oxigênio e açúcares, constituindo a estrutura externa dessa molécula.

A pesquisa liderada pela Bioquímica Felisa Wolve-Simon do
NASA Astrobiology Institute, demonstrou em seus experimentos com o organismo do Domínio Bacteria, filo das Proteobacteria, da família Halomonadaceae, estirpe "GFAJ-1", que é possível que esse organismo substitua o fosfato por arsenato (AsO
43- ) em funções analógas ao DNA "padrão", formando o esqueleto do DNA, talvez ATA (Triarsenato de adenosina?) e também nas estruturas celulares que compoem essa estranha amante do arsênico.
O lago onde vivem estas bactérias chama-se "Mono",
na califórnia E.U.A, sua paisagem alienígena dá asas a imaginação. É um ambiente hipersalínico e alcalino, sua temperatura fica em torno de -15 C° a 17 C°, a vida nesta faixa sofre uma redução em seu metabolismo (o que o arsênico pode desempenhar papel fundamental neste caso).
Quando fiquei sabendo ontem a noite sobre essa coletiva, esperava algo um pouco mais surpreendente (mas, que de fato é sim, para a biologia), mas imaginava um novo código genético, ou uma nova forma de vida terrestre, que foi batizada hipotéticamente como "Biosfera das Sombras" pelo Astronomo Paul Davies, que seriam formas de "vida",
que evoluíram de forma independente no sentido de não compartilharem estes constituintes básicos, não sendo possível sua inclusão dentro das classificações que conhecemos. Bem, não foi isso que aconteceu. Tão pouco a descoberta de vida extraterrestre como muitos haviam pensado, já que o tema era Astrobiologia. O que provavelmente aconteceu neste estranho e "sedutor" evento evolutivo foi uma adaptação extrema para utilizar o elemento "As" invés de "P", como constituinte básico em sua biologia.
"I am arsenic, half dead and cold as a stone, I'll burn your guts and crush your bone. If I should venture, corruption would spread. No one should approach the living dead! I am a poison - a knife in your guts. I need to be blameless, disguise my sin, I need to have a hide for a skin! I need to be tidy, need to be clean, need to have my best efforts seen. "Então, não encontramos E.Ts, nem uma nova forma de vida completamente disparate, mas um tipo tomado de estranheza à bioquímica convencional utilizada por todas os outros (até onde sabemos). No contexto cosmólogico, abre possibilidades de encontrar outros organismos em exoluas e exoplanetas, e até mesmo no nosso sistema solar, já que a vida, de certa forma ainda pode nos surpreender cada vez mais,e me surpreendeu. E quanto a você, querido leitor?Prometo mais detalhes a seguir (e correções), preciso dormir agora e aproveitar que o meu velho computador me permitiu escrever este texto tarde da noite.Referências:
Sience Magazine: "A Bacterium That Can Grow by Using Arsenic Instead of Phosphorus" DOI: 10.1126/science.1197258
Nature News: "Arsenic-eating microbe may redefine chemistry of life"
Marcadores:
alienígena,
arte,
astrobiologia,
bacteria,
Christina Hendricks,
extraterrestre,
extremófilos,
Felisa Wolve-Simon,
monolake,
Nasa,
ruivas
|
Correr e permanecer no mesmo lugar (só que num diferente, sempre) ei? (mas se é o mesmo, como é diferente?) bem, isso é uma citação literária não precisa se preocupar ok?, um pouco de
Rainha Vermelha, e a morte de
Leigh Van Valen, que observou essa dinâmica entre parasitas e hospedeiros, o que pode ter dado origem ao Sexo...
Neste último mês comecei um novo espaço, dedicado a microtextos e imagens sobre genes, microscopia por tunelamento quântico, extinção, arte? que deriva do mundo natural, do real e imaginário (sim!!!! existe um mundo lá fora, de
VERDADE) e através da observação, podemos construir conhecimentos para termos o poder de pensar, e agir sobre essas coisas todas. Eu vejo que tudo se trata de encontrar o seu lugar no mundo. Talvez tenha encontrado agora,
amanhã eu não sei...
Então, o espaço está aberto com algumas imagens e textos (confesso que estou me divertindo muito) :
"A mosca e o Jarro" . Apareçam, comentem, copiem e mandem fotos...
Para encerrar, seguindo o estilo do meu novo "
Tumblr" um poema do Richard Feynman que eu gosto bastante.
Contemplo a sós o mar e penso ...
Vejo as ondas em agitado movimento ...São montanhas de moléculas,
cada umas indiferente às outras ...
triliões as separam
formam, porém um uníssono a branca espuma.
Idades primervas sucessivas ...
´inda as ondas não eram por humanos olhos visíveis
ano após anoano após ano, tão estrondosamente
como agora, batiam nas praias.

para quem, para quê? ...
num planeta ainda sem vida,
um espectáculo sem espectadores.
Jamais em repouso ...torturado era o mar pela energia
prodigiosa do Sol ...
desperdiçada sem trégua, derramada no espaço.
Uma migalha apenas faz bramir o mar.
Na profundidade dos oceanos, as moléculasrepetiam-se em padrões codificados
e repetindo-se, repetindo-se sem fim,
moléculas complexas formaram.
Novas e outras iguais a si ...
E uma dança original iniciaram.
Crescendo em tamanho, escolheram a via da
complexidade ...Eis, por fim, a vida, multidões de átomos,
ADN, proteínas ...
Sempre, sempre embalando-se em estrutura complicada
Saídos já do berço-mar, agora
terrestres ...
átomos que ponderam,
matéria observadora.
À beira-mar ...
um Eu ...
Pergunta e pergunta-se:
um universo de átomos ...
um átomo-ilha no universo
Marcadores:
arte,
ciência,
poema,
poesia,
rainha vermelha,
richard feynman
|
Você olha para uma árvore. Lá em cima. Um animal com o olhar tristonho. Um tanto relutante, talvez. Você nota que seus pelos são esverdeados, quase misturando-se com os tons dos líquens que também vivem nestas mesmas árvores. Essa cor verde, confere um bom disfarce para o animal. Embora não seja um primata, lembra muito os membros da nossa familia, possívelmente pela convergência nos ambientes arbóreos. Tão bonito em seu silêncio. Pois, enfim você percebe que esta encantado por esse animal, uma preguiça.

Mas o encantamento não para por ai. Imagine que você está provido de um microscópio e resolve examinar minuciosamente estes cabelos, os seus pêlos esverdeados. daí você encontra milhares de outros organismos menores vivendo por ali. Claro, muitos piolhos, acáros e aranhas, mas também descobre que lá dentro, na superfície e também profundamente, vivem algas verdes! pequenos seres que "comem" as partículas do sol.

As algas da espécie
Trichophilus welckeri, receberam este nome pois
Trichophilus significa "amante dos pêlos" e foi descoberto que esta espécie existe somente em associação com o animal, numa simbiose mutualista, profunda e duradoura. Os pêlos absorvem água, e acabam tornando-se um local ideal para as algas, e a sobrevivência das algas de certa forma, contribuem na camuflagem da preguiça.
Agora só resta saber quem ama mais. A pequeníssima alga verde ou a esverdeada e sonolenta preguiça...

Nestes links é possível encontrar maiores informações sobre as evidencias moleculares, filogenia das algas e sobre a simbiose entre estes dois organismos:SUUTARI. M. et al. Molecular evidence for a diverse green algal community growing in the hair of sloths and a specific association with Trichophilus welckeri (Chlorophyta, Ulvophyceae). BMC Evolutionary Biology.
http://www.helsinki.fi/research/news/2010/week15.html
Imagens:
http://cabinetmagazine.org/events/images/sloth
http://view3.picapp.com/pictures.photo/image/9606758/baby-sloth-fed-teresa/baby-sloth-fed-teresa.jpg
Marcadores:
algas,
amor,
evolução,
filogenia,
preguiça,
simbiose
|
Nasce Setembro, e 31 anos atrás, a sonda Pioneer 11 foi passear próxima a Saturno... Tenho um pequeno caso de amor com os planetas gigantes, talvez por eles serem tão pesados e massivos, pelo cinturão de gelo que existe em alguns, e principalmente por suas incríveis luas...Mas o que é mais incrível que direcionar um objeto para as estrelas?
Antes da Pioneer 11, veio a Pioneer 10, aquela que carrega uma placa de ouro e nos descreve e diz aonde estamos a quem se interessar...
"Pioneer 10 will continue to coast silently as a ghost ship through deep space into interstellar space, heading generally for the red star Aldebaran, which forms the eye of the constellation Taurus (The Bull). Aldebaran is about 68 light years away. It will take Pioneer 10 more than 2 million years to reach it. Its sister ship, Pioneer 11, ended its mission Sept. 30, 1995, when the last transmission from the spacecraft was received."Daqui a 2 milhões de anos, Pionner 10 atinge a "constelação" de Touro, mais precisamente a estrela Aldebaran. Pionerr 11 cortou comunicações há 15 anos.
Marcadores:
amor,
astrobiologia,
astronomia,
constelação,
espaço,
touro
|

"I know that the molecules
in my body are
traceable to phenomena in the cosmos.
That makes me want to grab people in the street and say,
‘have
you heard this?!’
-Neil deGrasse Tyson
|
Li em algum lugar, talvez no blog do
Mauro, que o melhor lugar para se fazer ciência não é sempre no laboratório, e sim muitas vezes em uma mesa de bar.

Alguns dias atrás, num boteco no centro antigo de Curitiba estava eu e meu grande amigo Químico, o Giorgio, conversando sobre o ensino de ciências, ambos já lecionamos, e obviamente já fomos (e ainda somos) estudantes. O tema principal foi a
Eletrodinâmica e a
Cromodinâmica Quântica, a
Epigenética,
metaloproteínas,
ligações orgânometálicas,
transposons e
agentes quelantes.
MINDFUCK!Mas isso foi só pano de fundo, a ciência, pois a grande questão em meio aos copos de cerveja e o frio estranho a mim, foi o porque dos métodos de lecionar ciência eram tão chatos quando estávamos na escola (e ainda é?), o que nos admira estarmos fazendo uma graduação em licenciatura em ciências e com objetivos de passar esse conhecimento para frente.

E pelas notícias do ministério da educação, falta professores de ciências, e os poucos com formação na área e já lecionam, tornam a matéria dura, enfadonha, e simplesmente chata!!!o que fazer na nossa humilde opinião? Introduzir exatamente estes assuntos complexos, que conversamos no bar, em tom de conversa, com o objetivo de "roubar "a atenção dos estudantes! certo que a primeira vista é paradoxal, ensinar por exemplo, a Relatividade, quando os alunos mal compreendem ou não gostam da física Newtoniana, mas a idéia é exatamente seduzir mesmo! através destes temas considerados "esotéricos", um roubo no sentido mais belo da palavra. Dai então ficaria mais suave a transição para outros temas mais "prosaicos", que são aqueles que a gente vê na escola, e claro no dia a dia.

E o mais precioso, o catalisador dessa sedução é o professor, ele que irá mostrar como é esse método especial de descobrir as coisas, que é a ciência. Que nada tira da beleza do mundo, mas só adiciona. Abrir as janelas da mente... Parece utópico eu sei, mas das vezes que toquei em assuntos complexos em aulas, os olhos da gurizada brilhavam, com esse mundo novo, grande e assombroso que se descortina quando estudamos a natureza das coisas através da ciência.
Tem o
efeito Mpemba, descoberto por um estudante secundário africano, e que consiste no fato da água morna congelar mais rápido do que agua fria! muitas pessoas duvidam desse fato, mas então faça o seguinte, peça para a pessoa, ou seu aluno ir para casa e tentar reproduzir esse fenômeno, anotar os resultados e comparar com a teoria, agora sim, isso é ciência, e isso que a distingue de outros saberes, é um saber que te dá a possibilidade de confirmação e refutação pessoal de certas teorias.
J. Robert OppenheimerEntão, dessa forma poderemos começar a falar de uma real educação científica. Que não pode se limitar a transmissão de dados, decoreba, e passar em provas... Certo, ainda há muitos "Muros" para impedir essas ações, essas conversas, mas comece em sua casa, em seu bar favorito, na sua sala de aula, daí sim alguma coisa importante poderá surgir disso.
O termo ciência que rouba foi um problema meu de tradução do espanhol, de uma série sobre ciências "Ciencia que ladra". Mas eu gostei!Imagem: aqui.
Marcadores:
divulgação científica,
educação científica,
ensino de ciências,
física
|

"Todos os meus amigos estão mortos...
Assim como os Brontossauros (apatossauros).
A maioria dos meus amigos estão mortos...
Assim como o Dodô.
Todos os meus amigos expiraram na terça...
Assim como o leite."
Livro de Avery Monsen e Jory John, minha próxima aquisição aqui... Existe um poema lindo de John Griffin: Extinction, leiam...
Marcadores:
dinossauros,
divulgação científica,
dodô,
educação científica,
extinção
|
Falar sobre a beleza. E eu entendo disso? não sou uma pessoa bonita, e talvez por isso (mas não somente) me interesso por demais sobre essa palavra inventada para descrever algo grandioso, ou pequeníssimo, desconhecido, fulgurante, que remove o ar dos pulmões, que aumenta os batimentos de um coração velho que surgiu provavelmente em "peixes" ou vermes ancestrais... Então, alguém inventa palavras curtas. bonito, beleza, belo e boniteza para descrever essa sensação, por lógica no pensamento.
Já ouvi artistas, poetas e filósofos dizerem que a ciência remove a beleza das coisas. Marte era o Deus Romano da guerra, da força e onipotência, um conquistador.

Os mitos antigos descreviam-o assim, e a Astrologia, um sistema antigo de idéias que sustenta que os movimentos aparentes dos astros influenciam, e nos guiam aqui na terra, milhões de quilômetros e anos de distancia das estrelas, e das imaginárias constelações., mas não somente do destino e nascimento das pessoas, mas sim até de empresas!!! Mas o que sabemos de fato sobre Marte? É um planeta frio, com uma frágil atmosfera, com geografias suspeitas por serem formadas por rios, lagos e oceanos alienígenas, a pelo menos 2 bilhões de anos atrás. Lá existe o maior canion do sistema solar,
Valles Marineris ( o vale do marinheiro, com 3.000 km de comp. e 8 km de profund.) e a descomunal montanha (um vulcão na verdade) conhecido como
Olympus Mons (monte olimpo, 27 km de altura).

Também há gelo nas calotas polares, formado por dióxido de carbono, e recentes evidências de água (tive uma felicidade imensa em saber, que precisava comemorar com uma pessoa que mantém diálogos com montanhas agora, lindos e cheios de gagueiras)...
Mas daí surge a pergunta, a ciência, que é um meio de descobrir as coisas, um método especial e muito cuidadoso de conhecer e descrever a sutileza do Cosmos, retira a beleza de Marte? Não, meus caros, só adiciona...

O sonhos de um dia ver o por do sol rosado daquele mundo estranho, suas areias tão antigas quanto nós, e imagine a primeira pegada humana nessa areia fria? não posso, e não consigo pensar que isso não é lindo. E que é belo saber isso.
Mas não precisa ter toda essa explicação minuciosa, cartográfica, psicológica, química para ser bonito.
Descartes estudou os arco-íris, por causa do fenômeno da luz atravessando confusa por partículas de água e poeira na atmosfera? ou será que era por que ele os achava terrivelmente belos? Pense nisso...
(Post de despedida de uns dias, e fortemente inspirado nas palavras do "Dick" Feynman)Referências e Imagens: Porto do céu. Ny Daily News. Nasa. PopSci. Wikipedia. Física.cab.cnea.gov.ar
Marcadores:
arte,
astrologia,
deuses,
divulgação científica,
filosofia,
marte,
monte olimpo
|